Um país se faz com Homens e com Livros

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A Biblioteca Municipal “Orígenes Lessa”, foi criada por Zanderlite Duclerc Verçosa em 21 de Dezembro de 1961, funcionando provisoriamente em uma sala improvisada e emprestada no prédio do Ubirama Tênis Clube. Em abril de 1961 foi criada a Lei de nº 506, que previa a remodelação da então Praça da Bandeira, bem como a construção de um conjunto arquitetônico compreendendo Concha Acústica e a Biblioteca. O prédio especialmente construído para abrigar a Biblioteca da cidade, de propriedade da Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista, oferecia um local próprio e adequado para acomodar o acervo, que crescia a cada campanha de doação encabeçada pelo então patrono e ilustre cidadão lençoense, o escritor Orígenes Lessa.

A majestosa obra de arquitetura destaca-se pelo estilo moderno, situada numa área central de rápida localização, muita visibilidade e de fácil acesso. A construção teve a orientação dos engenheiros Bernardo Schomann de São Paulo e do encarregado Cezar Hel Rosso lençoense. No início, a Biblioteca possuía uma circulação de 20 pessoas por dia (entre adultos e estudantes de todas as escolas), e atendia aos 150 sócios permanentes, com um acervo de mais de 2.000 livros e funcionava de segunda a sexta-feira das 13h30 às 17h30, segundo o primeiro relatório de atividades. Hoje, após enormes doações realizadas graças à campanha de Orígenes junto aos amigos escritores da Academia Brasileira de Letras (as chamadas Caravanas Literárias), e além das constantes doações da população e aquisição de novos livros, a BMOL tem em acervo informatizado até o momento 100.000 livros, estes localizados somente na biblioteca central, ainda há cerca de outros 20.000 que estão divididos nas bibliotecas: Ramal I, Ramal II, Ramal II, Biblioteca Infantil e Espaço Cultural “Cidade do Livro”, o que totaliza aproximadamente 120.000 livros. A Biblioteca Municipal “Orígenes Lessa” atende em média 170 pessoas por dia, totalizando um atendimento anual de cerca de 36.000 usuários entre pesquisa local, retiradas de materiais e solicitações de pesquisa via internet. A BMOL funciona de segunda à sexta-feira das 08h às 20h. A Biblioteca oferece um vasto acervo sobre assuntos diversificados, de interesse da população, lançamentos e uma ampla coleção de títulos da literatura brasileira. Possui seções especiais como a “Sala de Obras Autografadas” onde reúne obras com dedicatórias e autógrafos feitos por escritores ícones da literatura nacional e regional. “Museu Literário” situado no piso superior onde obras do começo do século XX, estão disponíveis para o completo uso dos usuários. “Seção de Obras de Referência”, com obras de consulta de vários gêneros e para várias finalidades, dicionários, mapas, guias e enciclopédias temáticas. A BMOL oferece empréstimo domiciliar, sendo o prazo de 10 dias para o usuário ter posse da obra, podendo ser renovado por igual período dependendo da obra e procura do material. Oferece Exposições; Boletim Eletrônico informando os usuários e a comunidade sobre novas aquisições, ranking dos livros mais retirados e mantém um canal aberto para a publicação de sugestões de leituras enviadas pelos leitores; “Feira do Troca-Troca” ação reconhecida pelo Programa Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) como um dos 50 projetos nacionais que melhor promovem o incentivo à leitura e democratização do acesso aos livros, é realizada (periodicamente) e troca com a comunidade, obras que a biblioteca possui em excesso mas que podem ser úteis para os cidadãos e como moeda os cidadãos podem trocar obras que tenham e estejam em desuso em casa. A BMOL também desenvolve anualmente concursos literários (classe adulta ou infantil) e visita de escritores.

Brasão de armas de Lençóis Paulista

Brasão Lençoense

Lei Nº 189. A Câmara Municipal de Lençóis Paulista, no uso de suas atribuições legais, decreta e eu promulgo a seguinte Lei:

ARTIGO 12 - O Município de Lençóis Paulista, terá brasão de armas próprio.

ARTIGO 2.0 - Fica adotado como brasão de armas da cidade e Município de Lençóis Paulista, o brasão ideado pelo Prof. Laudelino de Lima Rolim, cidadão itapetiningano, aqui radicado, descrito e justificado pela seguinte forma:

DESCRIÇÃO HERÁLDICA: - Escudo redondo, português, hispânico ou clássico.

ESQUARTELADO - Separando os quartéis, uma cruz romana, retilínea, azul celeste. 1.0 - de prata, com um archote de ouro, empunhada por uma mão viril, de sua cor; 22 - de ouro, com um pé de cana-de-açúcar de sua cor; 3,0 - de branco com o mapa do Estado de São Paulo, em vermelho, e sobrepostas seis linhas sinuosas em azul; 42 - de vermelho, com uma roda de engrenagem e cabeça com capacete alado, em amarelo sombreado;

COROA MURAL: - Lavrada de ouro, privativa das municipalidades, de quatro torres e portas.

DIVISA: - "PRO DEO. PRO PATRIA" (Por Deus, Pela Pátria) de prata num listel vermelho.

MEMENTO JUSTIFICATIVO - O escudo redondo, também conhecido como português ou hispânico, ou ainda clássico, foi escolhido para solidarizar-se com o tipo já tradicional para que todas as cidades, não só de São Paulo, como de outros pontos do Brasil, filiando-se assim, às origens de nossa formação. A cruz romana retilínea, azul celeste, que divisa os quartéis, simboliza em primeiro plano a fé cristã dos lençoenses sempre uníssono e inalteráveis em sua crença religiosa. O céu azul-celeste, lembra o nosso céu brasileiro e também as esperanças de todos numa vida celestial. O archote de ouro, empunhado por uma mão viril, no primeiro quartel, símbolo heráldico do saber, das luzes e do progresso, evoca nossas escolas, nossa atividade espiritual e os altos ideais dos lençoenses no amor à sua terra; e no branco de prata do campo dêste quartel a pureza de seus sentimentos. Um pé de cana-de-açúcar ao natural, no campo amarelo ouro do segundo quartel, caracteriza o elemento básico da agricultura e do povoamento de Lençóis Paulista. Graças a cana-de-açúcar o Município ocupa posição de destaque no conjunto dos grandes centros do Estado de São Paulo. O amarelo ouro do campo lembra a riqueza que representa a cana-de-açúcar para o Município, para São Paulo e para o Brasil. O Mapa do Estado de São Paulo, vermelho em campo branco, e sobrepostas, seis linhas sinuosas, azuis, no terceiro quartel, elucida a origem de Lençóis Paulista, cujo histórico é o seguinte: - "Uns fazem crer que o nome de Lençóis Paulista lhe veio da grande quantidade de capim "Favorito" que no século XIX, cobria as extensões baixas; outros ao invés dizem que os excursionistas primitivos embateram se, com uma grandiosa florada da gabiroba, que se estendia, de modo surpreendente, pelos campos, tomando aspecto de um colossal lençol". Há ainda quem diga, aliás, o que é mais certo, que um dos tributários do rio Tietê, o atual Lençóis, que nasce na Serra dos Agudos, desembocando naquele rio, formava lençóis brancos de espuma. Os excursionistas, que faziam o trajeto fluvial do Tietê a Goiás, chegando ao rio Lençóis, diziam: - Chegamos ao rio dos Lençóis. Mais tarde o aventureiro Francisco Alves Pereira, subindo o rio veio dar com esta região, batizando-a com o nome que trazia das margens do Tietê, isto é, Lençóis. E hoje, depois, de haver possuído o nome do Ubirama, que na língua guarani, significa "Terra da Cana", esta cidade volta a possuir o nome primitivo, diferenciando do Lençóis baiano, pela acrescentarão da palavra "Paulista", justificando o seu Estado, o glorioso São Paulo que é representado em vermelho, significando o sangue dos bandeirantes, derramado em prol da prosperidade. O campo branco lembra os lençóis avistados pelos primitivos excursionistas; e as linhas sinuosas azuis, representam o rio com o mesmo nome, que passa ao lado da cidade, e por onde os excursionistas também outrora, navegavam. A roda da engrenagem e a cabeça com capacete alado, em amarelo sombreado sobre campo vermelho caracterizam e enobrecem o trabalho progressista da indústria e do comércio, levado a efeito pelos seus filhos queridos, cuja tenacidade e fibra são representadas pelo vermelho do espaço. A corôa mural é a mesma da simbologia heráldica luso-brasileira. Nos suportes, os ramos de cana-de-açúcar e do café assinalam os produtos agrícolas, que mais tem cooperado para a riqueza do Município. A divisa "Pro Deo, Pro Patria" (Por Deus, Pela Pátria) de prata, num listel vermelho, traduz os fatores de incentivo ao progresso do Município, concitando os lençoenses a trabalhar com fibra, fé e sem descanso para o engrandecimento crescente de sua terra, para o progresso de São Paulo e para glorificação da Pátria comum, nosso querido B R A S I L.

ARTIGO 3O - Fica também aprovado o desenho original do símbolo ora instituído, de autoria da mesma pessoa referida no art. 22.

PARÁGRAFO ÚNICO - Os documentos apresentados à aprovação da instituição do símbolo em apreço, devidamente autenticados pelo autor, pelo Presidente da Câmara e pelo Prefeito Municipal, ficarão arquivados na Municipalidade.

ARTIGO 42 - À partir desta, figurará nas dependências e nos papéis oficiais da Câmara e da Prefeitura, o brasão de armas do Município.

ARTIGO 52 - Esta lei entrará em vigor na data, de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista, 20 de Janeiro de 1955.

Virgilio Capoani
Prefeito Municipal
Evaristo Canova
Secretário

FONTE: Alexandre Chitto (Históra de nossa gente: Lençóis Paulista 150 anos)

Os primeiros povoadores


É muito provável que os primeiros povoadores da região – os pioneiros – tenham vindo às primeiras décadas do século XIX, ou seja, entre 1800 e 1830. Há registros esparsos de solitários aventureiros que se arriscavam no sertão: em 1834, surge o nome de Pedro Nardes Ribeiro apossando-se de terras às margens do Ribeirão Grande, nas proximidades de Aimorés e Guaianás, portanto, além de Lençóes, em direção ao sertão. Outros nomes pioneiros: Pedro Francisco Pinto que atravessou a serra dos Agudos, instalou-se na bacia do rio Batalha tentando estabelecer algumas culturas, e foi morto pelos índios; e Sebastião Pereira que teria iniciado uma lavoura próxima ao ribeirão da Água Parada (Neves; Bueno Filho, p. 7).

Quem foram esses primeiros povoadores? De onde vieram?

Até 1850, uma terra desocupada podia ser apossada por qualquer pessoa. A partir daquele ano, com a Lei de Terras, a aquisição passou a ser apenas por compra e aqueles que haviam tomado suas terras por posse tiveram que registrá-las. Por isso, muitas pessoas de regiões de povoamento mais antigo largaram sua terra de origem e vieram tentar a sorte nesta área de terras disponíveis e férteis, fixando-se perto dos rios e enfrentando índios e animais selvagens. Eram lavradores e criadores, vindos de lugares como Sorocaba, São João do Rio Claro, Constituição (atual Piracicaba), Mogi-Mirim, Descalvado, Itapetininga, Caconde, Casa Branca e outros. Às vezes, após a morte de um fazendeiro e feita a partilha dos bens, alguns filhos ficavam com as terras e um ou outro filho recebia ferramentas, gado, escravos e algum dinheiro e vinha tentar a sorte na boca do sertão.

Também foi importante a participação de mineiros no povoamento da região de Lençóes – mesmo porque são muito comuns relatos de moradores mais velhos da atual Lençóis Paulista sobre seus antepassados mineiros. José Teodoro de Sousa tornou-se uma figura quase lendária pelas andanças que realizou na região, fundando povoados, abrindo caminhos e trazendo povoadores de Pouso Alegre, MG, onde morava antes de se aventurar pelo sertão paulista (Monbeig, 1984, p. 133-135). Os mineiros eram descendentes dos antigos paulistas que haviam partido para as regiões mineradoras e agora retornavam devido à decadência da mineração, estabelecendo-se com suas lavouras e gado na fronteira da civilização.

Outros que para cá vinham eram foragidos da justiça e exterminadores de índios, chamados, ao que parece, por viajantes e moradores. A eclosão da Guerra do Paraguai, conflito ocorrido entre 1864 e 1870, fez com que muitas pessoas se embrenhassem no sertão paulista, fugindo do alistamento militar.

Como teriam vindo estes primeiros povoadores?

Os meios de transporte ainda eram muito precários, por isso, é muito provável que os primeiros povoadores tenham vindo a pé, a cavalo, ou então em carroças, onde vinham aqueles com maiores dificuldades de locomoção, entre eles as mulheres, as crianças e os mais idosos. Não podemos esquecer que aqueles que vinham de Minas, por exemplo, atravessavam áreas de relevo mais acidentado e rios, daí porque, como já vimos, eram em sua maior parte homens os que vinham destas regiões. Também é provável que tenham vindo em grupos de muitas famílias, aparentadas ou não, como medida de segurança, pois a região, inexplorada como era, apresentava muitos perigos. Podia ocorrer também de virem, num primeiro momento, um reduzido grupo inicial, talvez só de homens, construído uma rústica habitação, dado início às lavouras, enfim, se estabelecido nas novas terras para, posteriormente, buscar o restante da família na terra de origem.

FONTE: Professor Historiador Edson Fernandes

Lençóis Paulista e suas potencialidades

Um pouco da História...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Lençóis Paulista está localizada no centro-oeste paulista, ao lado da rodovia Marechal Rondon, e conta com 61 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE. O povoado surgiu no início do século 19, com a doação por proprietários rurais de terras para a formação do patrimônio de Nossa Senhora da Piedade, padroeira do município. O povoado foi elevado à Freguesia em 28 de abril de 1858 e à categoria de Vila em 25 de abril de 1865.

Lençóis foi por algum tempo a “boca do sertão”, como eram chamadas no início do século 19 as últimas fronteiras da civilização. Os desbravadores do sertão paulista e das áreas de Goiás e Mato Grosso, que desciam o rio Tietê nas expedições chamadas monções, entraram na área onde hoje está o município pelo Rio Lençóis, que desemboca no Tietê, em território hoje pertencente ao município de Macatuba. O rio já constava de mapas de navegação feitos no início do século 18.

Do desmembramento do território de Lençóis Paulista surgiram os municípios de Macatuba, Pederneiras, Bauru, Santa Cruz do Rio Pardo e Espírito Santo do Turvo.

Nos primeiros tempos, os povoadores foram os paulistas de outras regiões e mineiros em busca de terras e novas oportunidades. No final do século 19, a partir da abolição da escravatura e da proclamação da república, a cidade recebeu um grande número de imigrantes, principalmente italianos, cujos descendentes foram a maioria da sua população atualmente. Mais recentemente, a partir da década de 70, com a expansão da agroindústria canavieira, o município recebeu um significativo número de migrantes nordestinos.

Fonte: www.cidadespaulistas.com.br